Ter tudo e ainda assim sentir que algo está faltando.
Quando a vida está funcionando mas você não consegue sentir que vale a pena
Você pode estar convivendo com vazio existencial sem saber nomear
O que muda quando você para de ignorar o que sente e começa a escutá-lo
Vazio existencial é o mesmo que depressão?
Não necessariamente, embora possam coexistir. A depressão é um quadro clínico com sintomas específicos, baixo humor, perda de energia, alterações no sono e no apetite. O vazio existencial é uma experiência mais difusa, ligada à falta de sentido e de conexão com a própria vida. É possível ter vazio existencial sem depressão, e é possível que um alimente o outro quando não tratado.
Como a psicologia junguiana aborda o vazio existencial?
Jung via o vazio como um chamado do Self, a parte mais profunda da psique, para que o indivíduo se torne mais inteiro. O processo de individuação, central na psicologia analítica, é exatamente o trabalho de integrar o que foi deixado para trás e construir uma vida com mais sentido e autenticidade. É uma das abordagens mais ricas para esse tipo de sofrimento.
Preciso de um motivo claro para buscar terapia por causa de vazio?
Não. A ausência de um motivo claro é, muitas vezes, a própria descrição do vazio existencial. Chegar à terapia sem saber exatamente o que dizer, apenas com a sensação de que algo não está bem, é um ponto de partida completamente válido. O processo começa justamente a partir daí.
Esse sofrimento não é frescura de quem tem a vida resolvida?
É exatamente o contrário. O vazio existencial aparece com mais frequência em pessoas que conquistaram o que se esperava delas, e descobriram que aquilo não era suficiente. O sofrimento não precisa de justificativa externa para ser real. Se você sente, ele existe, e merece atenção.
Quanto tempo leva para encontrar sentido em terapia?
Não há um prazo. O processo de individuação, de se tornar mais inteiro e conectado com quem você é, é contínuo. O que muda com o tempo é a relação com o próprio vazio: ele deixa de ser uma ameaça e passa a ser um guia. Pequenas reconexões aparecem ao longo do processo, muito antes de qualquer grande resposta.
Filosofia e espiritualidade entram nesse trabalho?
Sim. Trabalho com os conceitos de sincronicidade e espiritualidade propostos por Jung, não como religião, mas como uma dimensão de sentido que vai além do racional. Para muitos pacientes com vazio existencial, reconectar-se com algo transcendente, seja na natureza, na arte, nas relações ou numa prática espiritual própria, faz parte do processo de cura.
É possível trabalhar vazio existencial sem saber o que quero da vida?
Sim, e esse é exatamente o ponto de partida mais comum. Não saber o que quer é uma informação clínica importante. O trabalho começa por entender o que foi silenciado, o que foi escolhido por obrigação e o que ainda faz algum eco dentro de você. A clareza vem do processo, não antes dele.
O atendimento online funciona para esse tipo de demanda?
Funciona bem quando o paciente cria um espaço de verdade para a sessão, sem interrupções, com presença real. O vazio existencial pede introspecção, e o ambiente online pode favorecer isso quando bem utilizado. Atendo online para qualquer lugar do Brasil e do mundo.

